Mensagens postadas no fórum Ceticismo Aberto avaliando a base de dados Ganzfeld (pesquisa de "telepatia") - Ao fim delas, uma mensagem em email enviada em novembro de 2004 sobre Ganzfeld vs Estudos na área de biociências.

 

http://br.groups.yahoo.com/group/ceticismoaberto/message/11597
Mensagem 11597 de 12766
De: "julio_matacetico"
Data: Qua Mai 5, 2004 5:42 pm
Assunto: Takata, Merreca

Takata disse a Wellington Zangari que os efeitos psi são (possivelmente em amplitude e qualidade) "merreca"...

Curiosamente, eu mesmo havia dito há poucos meses atrás ao mesmíssimo Wellington Zangari algo praticamente idêntico! Eu disse: "Os efeitos psi (ou 'possivelmente psi', como os observados em Ganzfeld e em micro-PK) são pífios e confusos.". Na ocasião, e devido à dinâmica específica do debate, Wellington se limitou a responder: "Não concordo que tais efeitos sejam 'Pífios' ou 'Confusos'".

Isso me deixou com uma pulga atrás da orelha. Como alguém como Zangari, que chega a ser mais rigoroso do que eu com relação à necessidade de prova para que psi seja considerado comprovado, pode considerar tais efeitos não Pífios? Não Confusos? Não Merreca?

Corri atrás dessa informação por minha própria conta nessa questão (Nem sempre podemos esperar que as pessoas nos fornaçam de lambuja na mãozinha aquilo que na verdade é nossa obrigação procurar nos informarmos antes de criticarmos. Isso quando queremos ser levados a sério, é claro...). Esse foi um dos principais motivos que me levou a adquirir a publicação conjunta cético-não cética "Psi Wars: Getting to Grips With the Paranormal" (do Journal of Consciousness Studies - 2003), e dentro dessa publicação, o artigo de Adrian Parker, pois que no resumo ele se referia a "High Quality Psi in Ganzfeld". (artigo: We Ask, Does Psi Exist? But is this the right question and do we really want an answer anyway? Parker, Adrian. Journal of Consciousness Studies, 10, number 67, 2003. pp.111-134., disponível TEMPORARIAMENTE em

http://geocities.yahoo.com.br/criticandokardec/biblioteca.htm - OBS: Link não mais disponível!).

Muito intrigante tal resumo. Então Psi em Ganzfeld podia ser "High Quality"? Foi isso que constatei no artigo de Parker. Ele relata a sessão Ganzfeld onde o "emissor" (pessoa que estava assistindo a um video clip, e "transmitindo telepaticamente" para a pessoa receptora) assistia a uma cena de video onde alguém corria e caía com a cara no chão, e nesse exato momento o "receptor" narra exatamente o mesmo fato!

Então o tipo de conteúdo (em qualidade) evidenciado em Ganzfeld é por vezes muito mais do que uma leve impressão transmitida que leva ao desvio dos 25% de acertos estatísticamente esperados para 30 ou 35% (aliás, até em percentuais por vezes bem maiores!)? Há, além disso, por vezes, de fato alta qualidade informacional?

Isso é algo surpreendente, em especial se considerarmos o altíssimo grau de diferença entre os cérebros mesmo de pessoas muito próximas (por exemplo: mesmo gêmeos idênticos, monozigóticos, que possuam personalidades quase idênticas, possuem provavelmente grande diferença na maneira como seus cérebros são construídos; que dirá pessoas que nem irmãos são). Para que esse binômio transmissão- recepção seja efetuado (dentro dos paradigmas aceitos atualmente pela ciência), é necessário ou que o emissor saiba onde e como atuar no cérebro do receptor, ou que o receptor saiba onde e como colher a informação no cérebro do emissor. E ao fazer isso, quebrar um código de encriptação de informação absolutamente idiossincrático (ou seja: único para cada indivíduo)!

Aí vem a pergunta natural, que qualquer pessoa com boa formação em física, biologia (Vai, Takata...), psicologia, etc, faz perante tal fenômeno (desde que esta pessoa não esteja com antolhos devido ao pseudo-ceticismo, que aliás, como eu já disse anteriormente, é em grande medida uma "massa de manobra" e "bucha de canhão" do movimento religioso estados-unidense na luta contra idéias como a reencarnação, nova era, etc, já que um dos três maiores céticos do mundo, Martin Gardner, Top Fellow e co-criador do CSICOP, é crente em Deus e na vida pós morte, sob uma ótica cristã):

Isso é Merreca? Isso é Pífio? Isso é Confuso?

A resposta é: Não. Isso não é Merreca, Pífio, ou Confuso. Isso é um sistema altamente desenvolvido, e que muito provavelmente desempenha muitas funções, importantes funções, na dinâmica interativa dos seres vivos.

Os próprios pesquisadores psi muitas vezes dizem que "o efeito é fraco", e eu acho que isso é um grande problema. Um desvio de 25% para 30% (Ganzfeld), onde o esperado seria zero de desvio, não é algo fraco. Um desvio de um bit em 10.000 (micro-PK) onde o esperado seria zero de desvio, não é um efeito fraco.

E se o problema é "desprezar o fraco", quem seria capaz de desprezar a mais fraca das forças da Natureza, e força gravitacional?

Enfim, para finalizar, indico dois links, para que nossas avaliações nesse caso não sejam nem pífias, nem confusas, nem merrecas. Trata-se de um debate sobre o tema: hipótese vida pós morte vs hipótese super- psi, com Stephen Braude "defendendo" super-psi, e Montague Keen "defendendo" vida pós morte. Extraí desse "debate" alguns breves trechos onde é relatado precisamente exemplos de "High Quality Psi".

Curiosamente, é provável que tenhamos sido afastados dos relatos qualitativos de Psi justamente pela demanda da "ciência moderna" (estados-unidense) por NÚMEROS. E ao se voltarem para os números, agora os pesquisadores psi se vêem surpreendidos com essa afirmação de que psi não tem qualidade...

Bem, se tem ou não qualidade, só pesquisas bem documentadas (como o artigo de Parker) podem dizer.

Abaixo, mais exemplo de "High Quality Psi":

http://www.survivalafterdeath.org/articles/keen/response.htm

Montague Keen

Braude may be forgiven for his ignorance of the second illustration, since it has yet to be published in a peer-reviewed Journal, and I do not wish to imperil the chances of its appearance by premature release of all the details. But I give the essence of the case in the knowledge that all the actual names, original documents and participants with a single exception will be made public. The single exception is that of a young woman whose brutally murdered body was found by a police detective who broke into her apartment in West London in February 1983. The detective spent five hours examining and recording every aspect of the body and the apartment. A few days later, accompanied by a colleague, he visited the home of a young Irish woman who was among the scores of members of the public to have responded to one of a large number of offers from the public for information.

The Irish woman described to the two policeman how she had been assailed over the weekend following the murder by a voice identifying itself as the murdered woman, albeit by her maiden name which had not been made public. In the course of the interview she gave some 150 pieces of evidence, almost all of it accurate, save for a few instances where the information was unprovable, but consistent. The medium's informant gave details of the precise circumstances of the murder, the clothing and jewellery of the dead woman, her activities on and before the day of the murder, the names of her closest relatives and friends, the appearance, age, habits, Christian name and unique nickname of the murderer. To dispel the obvious doubts of the police officers, and prompted by her discarnate informant, she proceeded to give the assistant officer three highly accurate pieces of information about himself which not merely astonished him but changed his entire belief system for life.

Some of the information could have been drawn from the mind of the policeman whose notes confirmed the accuracy of her descriptions. Some of it - the location of her friend's house, her pending divorce, fits of depression, the conduct of the murderer in her flat and in his getaway car after the killing, the length of time she had known the murderer, the tattoos on his arm, the description of his girlfriend, the false insurance claim he had recently made etc - was unknown to the officers, although subsequently verified. Some of it - the full name of a woman friend - was not confirmed as accurate until eighteen years later.

The murderer, a petty criminal known to the police, was not a suspect and had an alibi. Evidence from a murdered woman via a medium is not admissible in UK Courts. The case was cold stored until 2,000 when advances in DNA technology enabled the police to produce evidence which determined the fate of the killer, now serving a lengthy prison sentence. The crucial evidence was provided by the murderer's discarded pullover, rescued from a dustbin by the investigating police officer solely because of the impressive accuracy of the medium's information. The notes of his interview, along with the medium's semi-entranced drawing on which she wrote the murderer's nickname, and the cryptic address of a location which was found years later to have been the most likely hiding place of the stolen jewellery, were carefully preserved by the officer who, together with his colleague, and the medium, have testified to the accuracy of this evidence.

Thus far the case has been reported only obscurely, in an article by the police officer principally involved, in a privately circulated police magazine. What makes it so damaging to the super-psi case is the extravagance of the assumptions that have to be made to avoid postulating an intelligent deceased and clearly identifiable communicator. Here is a case where fraud and straightforward mind- reading from the living can be immediately eliminated as inconsistent with known and unchallengeable facts. Cold reading, body language, and the customary litany of feeble explanations employed by skeptics to account for veridical evidence clearly have no place here: there was no-one's mind to read for much of the evidence, even if one assumes that some of it was dragged from the reluctant depths of the murderer's own psyche. The medium was unknown to the victim, so far as is known; but even assuming that to be untrue, and positing ample cryptomnesic prowess by the medium, it could not accurately reveal facts unknown to anyone alive when the information was transmitted.

If, of course, one heaps on the overloaded psi faculty ample helpings of precognition, some retrocognition, and an ability to extract selective pieces of information from a number of totally unknown persons (including at least one fact relating to a dead girl friend of the murdered woman, the accuracy of which remained unknown until August 2001), then we can still support the super-psi theory. But whatever the evidence for individual components of psi, there is absolutely none for the presumption that it has a co-ordinating, purposeful and discriminating intelligence that can selectively visit the minds of several unknown persons and fit together from them a correct account of persons living and dead, and events past and future.

http://www.survivalafterdeath.org/articles/braude/response.htm

Stephen Braude

These problems also afflict Monty's case of the medium who helped the police. Monty describes the medium as "prompted by her discarnate informant," but since she gave information which the police could verify, then Monty has shown precisely why the appeal to ESP among the living (either telepathy or clairvoyance) is a live option. In fact, the degree of psi suggested strikes me as no more astonishing than the better examples of CIA-sponsored remote viewing declassified over the past few years.

_________________________________________________

http://br.groups.yahoo.com/group/ceticismoaberto/message/11664
Mensagem 11664 de 12766
De: Julio Siqueira
Data: Qui Mai 6, 2004 10:27 pm
Assunto: Ganzfeld em Números: A Desgraça de Takata!

Caro Wellington Zangari,
Caros colegas do fórum Ceticismo Aberto,
Takata...

Bem, estou enviando abaixo uma extensa coleta de dados numérico-estatísticos com relação a essa questão Ganzfeld. A bibliografia em que me baseei está listada no fim deste email, sendo a principal o artigo de Palmer (2003), no Psi Wars (Esp in the Ganzfeld: Analysis of a Debate). É indicado também os links onde elas podem ser adquiridas, de graça...

Com relação ao uso de verbas públicas para estudos psi, gostaria apenas de manifestar duas opiniões minhas: primeiro, há uma diferença enorme entre o BRASIL destinar verbas públicas para a pesquisa psi (o que, a propósito, sou moderadamente favor) e os ESTADOS UNIDOS destinarem verbas para tais pesquisas (o que, a propósito, sou veementemente a favor). Há também nisso a questão da QUANTIDE de verbas que deve ser destinada. Segundo, devido à característica aparentemente altamente "rebelde" da fenomenologia psi (ou da fenomenologia "aparentemente psi"), penso que verbas deveriam ser destinadas (mesmo nos EUA) mediante critérios muito rígidos, de modo a garantir que de fato as melhores e mais promissoras linhas de pesquisa, bem como os melhores pesquisadores, recebam tais verbas. Isso seria uma forma da sociedade exercer uma pressão salutar sobre a cientificidade da comunidade acadêmica psi.

 

Meta-Análises de Experimentos Ganzfeld em Números, ou...- Te Segura Agora Takata!

Pré PRL (PRL se refere aos experimentos realizados por Charles Honorton no Psychophysical Research Laboratories, Princeton, New Jersey, nos anos 80, século XX. O protocolo PRL foi o que foi preconizado por Hyman-Honorton)

- 1974-1981
- 28 estudos (10 laboratórios)
- 12 estudos obtiveram resultados estatisticamente significativos individualmente
- p < 0.00000001

- Tamanho do Efeito: 0.28 (Extraído de Bem & Honorton, 1994. Esse valor de 0.28 é o que foi obtido pelo método Cohen, 1988, onde é denominado "h" o Tamanho do Efeito. Pelo método Rosenthal, 1991, o Tamanho do Efeito é denominado "pi", e ficaria calculado como 0.62; Bem & Honorton, 1994)

- Taxa de Acertos 35% (25% esperados ao acaso)

Comentários: os estudos utilizados eram bem heterogêneos.


PRL

- 1 laboratório (Psychophysical Research Laboratories, Charles Honorton, Princeton New Jersey)
- 10 estudos
- 1 estudo estatisticamente significativo individualmente
- p = 0.002 (Bem & Honorton 1994)
- Tamanho do Efeito pi 0.59
- Taxa de Acertos 32% (25% esperados ao acaso)

Comentários: Tá vendo, Takata. O Tamanho do Efeito é bem compatível: pi 0.59 agora (PRL) vs pi 0.62 antes (pré-PRL)...

 

Pós-PRL: há quatro meta-análises no período pós PRL.

Primeira - * Milton & Wiseman-1999
- 30 estudos pós PRL
- p = 0.24
- Tamanho do Efeito 0.013 (não sei se é pi ou h, ou outro...)

Comentários: os estudos utilizados eram bem heterogêneos. Alguns "alvos", ao invés de serem video clips dinâmicos, eram trechos de músicas. Usar vídeos para HUMANOS e música para MORCEGOS, pode ser considerado um protocolo Ganzfeld minimamente similar... Mas vídeo E música para humanos não. Mesmo essa meta-análise teria atingido significância estatística se não fossem utilizados cálculos estatísticos tão rigorosamente conservadores, conforme relata Palmer em Esp In The Ganzfeld, pg 60! Essa meta-análise, e suas "falhas" estranhas (...), levaram a um debate bem cabeludo sobre a questão, descrito no site anti-cético internacional:

http://www.skepticalinvestigations.org/whoswho/ganzfeld.htm

 

Segunda - * Milton (sozinha) - 1999
- 38 estudos pós PRL

- p = 0.074 (levemente significativo em termos estatísticos...) - correção: não significativo. Para ser minimamente significativo teria que ser p = 0.05 pelo menos. Waib me alertou sobre essa percepção errada minha. Ao eu olhar 0.074, eu pensei estar vendo 0.0074. Daí meu erro.

Comentários: ela não especificou exatamente que estudos utilizou (estranho, não?). O estudo de Dalton, 1997, (altamente significativo estatisticamente) não foi utilizado.

 

Terceira - * Storm Ertel-2001
NEM PENSAR... (leiam Palmer, 2003 para saber porque)

Quarta - * Bem, Palmer, Broughton 2001
- 40 estudos pós PRL, incluindo Dalton 1997
- p = 0.0048

- Tamanho do Efeito 0.051 (usaram para Tamanho do Efeito a fórmula de Milton e Wiseman 1999, que não sei se foi pi ou h ou outra)

- Taxa de Acertos 30%

Comentários: em avaliação com relação ao grau de similaridade ao padrão formal Ganzfeld, 29 estudos ficaram acima do ponto médio, obtendo esses 29 estudos em conjunto o seguinte resultado:

- p = 0.0002
- Tamanho do Efeito = 0.096 (pi, h, ou outro?)
- Taxa de Acertos 31%

Comentários2: nove (9) estudos ficaram abaixo do ponto médio, e em conjunto obtiveram o seguinte resultado:

- Taxa de Acertos 24%
- Tamanho do Efeito: -0.10
- p = não significativo estatisticamente

COMENTÁRIOS DOS AUTORES BEM, PALMER, E BROGHTON EM 2001, NA CONCLUSÃO: (em inglês, seguido de tradução minha)

"Most importantly, the mean effect size of the standard replications falls within the 95% confidence intervals of both the 39 pre-autoganzfeld studies and the 10 autoganzfeld studies summarized by Bem and Honorton (1994). In other words, ganzfeld studies that adhere to the standard ganzfeld protocol continue to replicate with effect sizes comparable with those obtained in previous studies."

" Mais importante, a média do Tamanho do Efeito das replicações padrão caem dentro do intervalo de confiança de 95% de ambos os 39 estudos pré-autoganzfeld e dos 10 estudos autoganzfeld relatados ("resumidos", sei lá...) por Bem e Honorton (1994). Em outras palavras, os estudos ganzfeld que seguem o protocolo ganzfeld padrão continuam sendo replicados, com tamanhos de efeito comparáveis com aqueles obtidos em estudos prévios."

(CARACA, TAKATA... Essa acima doeu PAKA)

COMENTÁRIOS DE JESSICA UTTS AO FIM DE SEU ARTIGO, The Significance of Statistics in Mind-Matter Research (1999) (em inglês, seguido, parágrafo a parágrafo de tradução minha...)

In summary, how are the remote viewing and ganzfeld results different from the antiplatelet and vascular disease conclusions?

Em resumo, como diferem as conclusões dos resultados de estudos em visão remota e ganzfeld dos resultados dos estudos sobre doenças vascular e agentes antiplaquetários?

· The psi experiments produced stronger results than the antiplatelet experiments, in terms of the magnitude of the effect. There is a 36% increase in the probability of a hit over chance, from 25% to 34%. There is a 25% reduction in the probability of a vascular problem after taking antiplatelets.

Os experimentos psi produziram resultados mais fortes do que os experimentos com agentes antiplaquetários, em termos de magnitude do efeito (tamanho). Existe um aumento de 36% na probabilidade de acerto com relação ao acaso, de 25% para 34%. Existe uma redução de 25% na probabilidade de problemas vasculares após tomar-se agentes antiplaquetários.

· The antiplatelet studies had more opportunity for fraud and experimenter effects than did the psi experiments.

Os estudos com agentes antiplaquetários tiveram mais oportunidade para fraude e "efeito do pesquisador" do que os estudos psi.

· The antiplatelet studies were at least as likely to be funded and conducted by those with a vested interest in the outcome as were the psi experiments.

Os estudos com agentes antiplaquetários foram pelo menos tão provavelmete custeados e conduzidos por aqueles com interesses (financeiros e etc) em seu resultado quanto os estudos psi.

· In both cases, the experiments were heterogeneous in terms of experimental methods and characteristics of the participants.

Em ambos os casos, os experimentos foram heterogêneos em termos de métodos experimentais e característica dos participantes.

All of this leads to one interesting question: Why are millions of heart attack and stroke patients consuming antiplatelets on a regular basis, while the results of the psi experiments are only marginally known and acknowledged by the scientific community? The answer may have many aspects, but surely it does not lie in the statistical methods.

Tudo isso leva a uma pergunta interessante: Por quê milhões de pacientes que sofreram ataque cardíaco e derrame cerebral estão consumindo agentes antiplaquetários de modo regular, enquanto os resultados dos experimentos psi são apenas marginalmente conhecidos e reconhecidos pela comunidade científica? A resposta pode ter muitos aspectos, mas com certeza ela não se encontra nos métodos estatísticos.

CONCLUSÃO DESSE EMAIL:

E agora, Takata? Como é que fica a tua vida cara?

Abraços,

Júlio.

P.S.: abaixo, a bibliografia. Lêêêêêêêêê TAKATA!!!!!

Updating the Ganzfeld Database: A Victim of Its Own Success? Bem, Boughton, and Palmer. The Journal of Parapsychology Vol, 65, September 2001

http://comp9.psych.cornell.edu/dbem/Updating_Ganzfeld.pdf

ESP in the Ganzfeld Analysis of a Debate. Palmer, John. Journal of Consciousness Studies, 10, number 6-7, 2003 pp.51-68

Neste Link.

Does Psi Exist? Replicable Evidence for an Anomalous Process of Information Transfer. Daryl J. Bem and Charles Honorton. Psychological Bulletin 1994, Vol. 115, No. 1, 4-18.

http://comp9.psych.cornell.edu/dbem/does_psi_exist.html

The Significance of Statistics in Mind-Matter Research. Utts, Jessica. Journal of Scientific Exploration, Vol. 13, No. 4, pp.615638, 1999

Neste Link.

__________________________________________________

http://br.groups.yahoo.com/group/ceticismoaberto/message/11731
Mensagem 11731 de 12766
De: Julio Siqueira
Data: Sáb Mai 8, 2004 7:15 pm
Assunto: Bactérias e Ganzfeld...

Caros colegas,

Dei uma olhada mais profunda em minha base de dados em experimentos a respeito da sobrevivência de bactérias aos efeitos in vitro do antibiótico gentamicina. Eu tinha dito que eu havia encontrado diminuições do efeito de tal ordem que o valor mínimo caía para 20% do valor máximo, mas apenas quando eu usei meios de cultura diferentes. Na verdade houve uma incorreção da minha parte: a coisa foi na verdade muito pior do que eu relatei...

O efeito em questão (estudado por mim no meu bacharelado de biologia, 1993) era o percentual de bactérias que sobreviviam a uma determinada concentração do antibiótico gentamicina. A bactéria era sempre a mesma: da espécie Escherichia coli, uma "cepa" específica de tal espécie (por "cepa" entenda-se bactérias mais semelhantes entre si do que irmãos gêmeos idênticos monozigóticos!). As condições de semeadura das bactérias, incubação para o crescimento, etc,etc, etc, eram sempre as mesmas, inclusive o pesquisador, que era sempre eu.

Resultados:

Usando o mesmo meio de cultura bacteriano (uma gelatina, que pode ser impregnada de antibiótico, sobre a qual colocamos as bactérias para crescer e contamos quantos porcento do total de bactérias sobreviveu ao antibiótico) encontrei, com relação ao percentual máximo de sobrevivência, redução do efeito a 10% do valor máximo, ou mesmo a 1% do valor máximo!

Usando um meio de cultura diferente do fabricante tradicionalmente utilizado (que poderia ser equiparado a um "remédio genérico"), encontrei, com relação ao percentual máximo de sobrevivência, redução do efeito a 1% do valor máximo, ou mesmo a 0,001% do valor máximo!!!

Se observarmos os números Ganzfeld, o máximo de Taxa de Acertos parece ser 50% (esperados 25% ao acaso), e o mínimo 9%. Ou seja, em Ganzfeld, onde teoricamente há muitos mais fatores e variáveis envolvidas, o valor mínimo se situa em apenas 20% do valor máximo. No fenômeno bacteriano por mim estudado, os valores que encontrei situaram o valor mínimo a até 1% do valor máximo, quando de situações rigorosamente idênticas; e situaram o valor mínimo a até 0,001% do valor máximo, quando de situações altamente similares.

Um abraço,

Júlio.

_______________________________

http://br.groups.yahoo.com/group/ceticismoaberto/message/11789
Mensagem 11789 de 12766
De: Julio Siqueira
Data: Seg Mai 10, 2004 8:30 pm
Assunto: Ganzfeld em Números: Segunda Parte!

Caros colegas, em especial Homero, Takata, Wellington, e Leonardo,

Encaminho abaixo uma comparação entre a mais recente meta-análise Ganzfeld (Bem, Palmer, Broughton, 2001) e uma meta-análise da ação das substâncias inibidoras da ação plaquetária ("antiplaquetários") apresentada por Jessica Utts no artigo dela disponível na minha biblioteca: The Significance of Statistics in Mind-Matter Research. Utts, Jessica. Journal of Scientific Exploration, Vol. 13, No. 4, pp.615638, 1999

Neste Link.

Essas substâncias antiplaquetárias, como a aspirina, são usadas atualmente pós infartos e pós derrames cerebrais, para diminuir a reincidência de tais eventos. Sua atuação favorável nesses casos foi demonstrada estatisticamente por meta-análises como a mostrada por Utts em seu artigo. E daí ela pergunta: por quê, por um lado, recomenda-se universalmente a ingestão de tais substâncias contra reincidência de infartos e derrames, e por outro lado, o resultado das pesquisas em ganzfeld são tão pouco conhecidos e reconhecidos pela comunidade científica? E ela comenta: múltiplas podem ser as respostas, mas definitivamente isso não se deve ao aspecto estatístico do problema.

Meta-análise de agentes inibidores da ação plaquetária Vs Meta-análise ganzfeld BPB-2001:

(Dados coletados da página 626 do artigo de Utts [1999], e da meta-análise ganzfeld de BPB-2001)

- 25 estudos sobre antiplaquetários (vs 40 ganzfeld)

- 9 estudos sobre antiplaquetários independentemente significativos, ou 36% do total (vs 4 significativos em ganzfeld a 1%, dando 10% do total, ou 14 significativos a 5%, dando 35% do total)

- 3 estudos sobre antiplaquetários negativos, dando 12% do total; ou seja: três dos estudos indicavam que o consumo de agentes antiplaquetários AUMENTAVA a chance de se ter novo infarto ou derrame (vs 18 negativos para ganzfeld, dando 45 porcento do total)

 

Incluí uma versão modificada da tabela de Bem, Palmer e Broughton em:

BPB_2001.htm

Vejam que ocorre com os estudos antiplaquetários A MESMÍSSIMA coisa reclamada por Takata contra os resultados ganzfeld, ou seja, ora dão significativos, ora dão não significativos, ora dão positivos, ora dão negativos.

Fazer o quê? É da vida. Da Biologia!

Abaixo, comentário de Utts (1999) na página 629-630, sobre a meta-análise de Milton e Wiseman. A meta-análise de Milton e Wiseman foi publicada no Psychological Bulletin em 1999, mas na verdade ela já havia sido submetida a esse jornal (ou seja, ao Psychological Bulletin) em 1997. Curiosamente, Milton e Wiseman enviaram esse trabalho deles para a Psychological Bulletin poucos meses antes de participarem de uma convenção de parapsicologia (the Parapsychological Association 40th Annual Convention - Milton, J. and Wiseman, R. (1997). Ganzfeld at the crossroads: A meta-analysis of the new generation of studies. Proceedings of the Parapsychological Association 40th Annual Convention, 267282.). Nessa convenção, a meta-análise deles foi por eles apresentada, e recebeu muitas críticas. Apesar disso, os dois deixaram que ela saísse publicada na Psychological Bulletin de qualquer maneira... As críticas de Utts abaixo dão uma idéia dos problemas de tal meta-análise.

Trecho de Utts traduzido:

"Houve outros estudos ganzfeld desde os conduzidos no PRL, e não é a intenção aqui fazer uma meta-análise completa de todos os estudos ganzfeld. Milton e Wiseman (1997) recentemente tentaram conduzir uma meta-análise incluindo mais experimentos ganzfeld, mas a análise deles sofre de problemas que não foram suficientemente resolvidos. Por exemplo, devido ao fato de muitos parapsicólogos terem concluído que os dados anteriores já tinham sido suficientes para pesquisas "orientadas para constatação", os estudos mais recentes se desviaram das condições originais para procurar por possíveis fatores que pudessem influenciar os resultados. Alguns desses estudos foram intencionalmente desenhados para incluir condições favoráveis e desfavoráveis. Outros usaram novos tipos de alvo (como composições musicais) ou novos protocolos (como determinando aleatoriamente se haveria um emissor ou não) para ver se tais alterações iriam influenciar os resultados. Conseqüentemente, não é de espantar que Milton e Wiseman encontraram taxas de acertos (na média dos estudos analisados) bem menores do que as que foram encontradas em estudos anteriores."

Original em inglês:

"There have been other ganzfeld studies since the ones conducted at PRL, and it is not the intention here to do a thorough meta-analysis of all ganzfeld studies. Milton and Wiseman (1997) have recently attempted to conduct a meta-analysis including more ganzfeld experiments, but their analysis suffers from problems that have not been sufficiently resolved. For instance, because many parapsychologists concluded that the earlier data had already been sufficient for "proof-oriented" research, more recent studies have deviated from the original conditions to look for possible correlates that might impact results. Some of these studies were intentionally designed to include favorable and unfavorable conditions. Others used new target types (such as musical compositions) or new protocols (such as randomly determining whether or not to have a sender) to see if these changes would influence the results. Therefore, not surprisingly, Milton and Wiseman found much lower overall combined hit rates than were found in the earlier studies."

Um abraço,

Júlio.

______________________________________________

http://br.groups.yahoo.com/group/ceticismoaberto/message/11920
Mensagem 11920 de 12766
De: Julio Siqueira
Data: Sex Mai 14, 2004 4:06 pm
Assunto: Falso Positivo em Ganzfeld?

Olá todos,

Tanto Luís Fernando quanto Takata consideraram que uma base de diversos experimentos heterogênea (ou altamente heterogênea) utilizada em uma meta-análise pode levar tanto a um falso negativo (por exemplo, concluirmos que NÃO HÁ anomalia estatística em ganzfeld, apesar de HAVER) como a um falso positivo (concluirmos que HÁ uma anomalia estatística em ganzfeld apesar de NÃO HAVER).

Gostaria de apresentar uma reflexão nesse sentido. Penso que os estudos pós PRL, devido aos rigores contra fraude e falhas metodológicas, apenas possuem a possibilidade de Falso Negativo. Imaginando que HAJA telepatia em ganzfeld, as alterações de protocolo poderiam levar a uma diminuição do efeito de tal telepatia, ou até mesmo a uma inversão (experimentos com acertos abaixo de 25%). Isso então poderia levar a um Falso Negativo. Mas imaginando que NÃO HAJA telepatia em ganzfeld (ou qualquer coisa igualmente esquisita), as alterações de protocolo NÃO PODERIAM levar a um aumento do efeito com relação ao esperado ao acaso (ou seja, 25% de acertos), devido aos rigores contra os mecanismos causais conhecidos.

Então o Falso Positivo é incompatível com o protocolo ganzfeld, mesmo levando-se em conta os desvios do protocolo original incorporado em muitos dos 40 estudos pós PRL.

(Há, é claro, a possibilidade, altamente remota, de um falso positivo devido a flutuações estatísticas altamente bizarras: nada impede que durante 100 anos obtenhamos resultados em ganzfeld altamente superiores ao esperado ao acaso, com Taxa de Acertos invariavelmente da ordem de 99%, contra 25% esperado ao acaso, e durante os 10.000 anos seguintes obtermos taxas de acerto compatíveis com o acaso, evidenciando uma altamente bizarra flutuação estatística. Mas é lógico, isso é altamente improvável).

Júlio.

__________________________________


Trechos de um email enviado por mim, comparando os estudos Ganzfeld com os estudos em Biociências:

 

Veja esse argumento do cético Alcock (extraído do artigo "Give the Null Hypothesis a Chance: Reasons to Remain Doubtful about the Existance of Psi". Journal of Consciousness Studies, 10, no 6-7, 2003. pp 23-50 - disponível, em inglês, neste link): "Contudo, na parapsicologia, não existem variáveis bem definidas, e não há nenhuma maneira de controlar se psi (se existir) está presente ou ausente, e então o processo estatístico é usado não para avaliar o efeito de uma ou mais variáveis sobre outras variáveis mensuráveis, mas como uma base para inferência da presença de psi em si.". Esse argumento de Alcock é falacioso. Na verdade, de certo modo, existe sim nos experimentos Ganzfeld, a comparação entre uma "variável conhecida" e o comportamento de tal variável face a uma tentativa explícita e deliberada de influenciar tal variável. Sabemos, através da ciência estatística e através dos nossos conhecimentos sobre os sentidos humanos (ciências físicas e biológicas), que se alguém tentar identificar qual clip de vídeo (dentre quatro opções) foi visto por alguém em uma sala isolada sensorialmente dela, o esperado ao acaso é uma taxa de acerto de 25%. Sabemos também, através da estatística, que flutuações estatísticas tipicamente oscilam para um lado e para o outro, cancelando seus efeitos mutuamente ao longo de muito tempo, e levando o resultado para próximo do estatisticamente esperado. Em Ganzfeld, não é isso que ocorre. O experimento é desenhado no sentido de que aquele que está vendo o clip de vídeo (o "emissor") tente enviar "telepaticamente" essa informação para o "receptor". Condições consideradas como psicologicamente favoráveis, como utilizar-se pessoas com boa relação emocional-afetiva (amigos, por exemplo), são empregadas para obter maiores sucessos, o que é um exemplo do uso do conhecido na psicologia para aumento das chances de sucesso do experimento Ganzfeld. E os resultados se mostram, ao longo de muitos experimentos, incompatíveis com a hipótese nula (ou seja, refutam a hipótese de que está ocorrendo algo meramente aleatório). O índice de significância estatística obtido no conjunto dos experimentos Ganzfeld é, conforme pode ser lido no texto ao final deste email, "Ganzfeld em Números": na meta-análise dos experimentos PRL, índice de p = 0.002; e na base pós PRL atualmente o índice é de p = 0.0048. E o desvio é de 6% com relação ao esperado pelo acaso.

O "de certo modo" que eu usei se refere ao problema de conceituarmos o que é uma "variável bem definida". Variável é, entendo, um valor que varia, e isso no campo empírico equivale a "um fenômeno que pode exibir variação em sua amplitude dependendo das influências colocadas sobre ele". Um exemplo de variável bem definida: taxa normal de complicações pós infarto ou pós derrame cerebral. Este exemplo (complicações pós infarto) é um fenômeno multicausal, assim como se acredita serem os fenômenos psi do tipo "telepatia" e micro-PK. Fenômenos multicausais (ubíqüos na biologia, e em algumas outras áreas da ciência) exibem característica tipicamente aleatório-estatística, e variam em suas amplitudes de manifestações mesmo em situações aparentemente idênticas (E como eu senti isso na pele em meus experimentos com bactérias!). São diferentes de fenômenos unicausais ou oligocausais, que tendem a exibir caráter mais determinista (experimente soltar uma maçã de uma altura de um metro um milhão de vezes seguidas; garanto que terás um milhão de vezes tal maçã indo ao chão; e olha que esse fenômeno não é nem unicausal, e sim oligocausal, ou seja: é causado por poucas influências distintas).

Agora vamos apor sobre esse fenômeno (complicações pós infarto) uma outra "variável bem definida": administração de uma droga inibidora da agregação plaquetária (aspirina, por exemplo). Qual o resultado disso? Um resultado determinista? (ou seja, um resultado do tipo: SEMPRE que você dá um comprimido por dia a pessoa não tem complicações). Não! Você tem um "fenômeno resultante" que exibe característica aleatório-estatística: algumas pessoas melhoram, e outras não. Aí entra a estatística para avaliar o valor de p desses estudos (ver se é estatisticamente significativo), e o tamanho do efeito desse fenômeno de "melhora pós aspirina".

Compare agora com telepatia em Ganzfeld: primeira variável bem conhecida: taxa de acertos, dentre quatro opções, de qual clip de vídeo é o "vídeo-clip escolhido aleatoriamente". Vamos apor sobre tal variável agora uma outra variável bem definida: tal "vídeo-clip escolhido aleatoriamente" está sendo observado em sala próxima (isolada sensorialmente) por pessoa que tenta enviar "telepaticamente" para o receptor a informação de que vídeo-clip é esse. Resultado: Algumas pessoas (receptores) manifestam por vezes o fenômeno de "identificarem corretamente qual vídeo-clip o emissor viu" e outras pessoas por vezes não manifestam isso. Trata-se (assim como a "melhora pós uso de aspirina") de um fenômeno aleatório-estatístico, e aí entra novamente a estatística para avaliar se há p estatisticamente significativo, e para medir o tamanho do efeito.

A estatística Jessica Utts demonstra (no artigo "The Significance of Statistics in Mind-Matter Research". Journal of Scientific Exploration. Vol 13, no 4, 1999. pp 615-38. Disponível em inglês neste link) que o tamanho do efeito, e o p, no fenômeno de "telepatia" em Ganzfeld são MAIORES do que no fenômeno "melhora pós aspirina". Por quê então Alcock considera que o estudo de telepatia em Ganzfeld é inválido, enquanto o estudo de melhora pós infarto é válido? Repetindo as palavras de Utts ao fim do artigo dela: os motivos dos "céticos" podem ser vários, mas eles definitivamente não se situam na validade estatística ou metodológica dos experimentos.

Um ponto importante de ser assinalado, e que muitos céticos comentam, é que nos dois exemplos citados por mim acima (aspirina e telepatia) o que foi identificado foi a existência de uma CORRELAÇÃO. Uma correlação não quer dizer necessariamente que exista uma CAUSALIDADE. Quando deixamos de usar o termo "correlação" e começamos a usar o termo "causalidade", estamos adentrando (ainda que bem introdutoriamente) o perigoso e ilusório campo das teorizações.